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sexta-feira, 2 de abril de 2010

My American Dream

Poucos antes de receber o convite de vir para a São Paulo, meu gerente jogou uma listagem na minha mesa. Eu olhei. Mágico. Era o nome das 20 empresas estrangeiras que tinha exportações para o Brasil e me perguntou: Quem são os compradores destas empresas no Brasil e quais que não tem negocios com a nossa empresa e o por quê?

Nossaaaaaaaa... fui ao delírio! Respondi tudo e ainda entrei em detalhes. hahaha UHUUUU!
Bom... depois dessa fui indicada para a vaga de São Paulo.

Antes de ir, meu diretor alemão comentou que eu teria uma grana extra para comprar cortinas. kkkkk Carajo e quem ligava pra cortinas! Eu queria limpar meu nome e começar uma vida nova! Mas ninguém podia saber disso, então eu falei: claro! claro! Com um ar de quem se muda de cidade pela empresa todos os dias. A Executiva capa da VOCE S/A. Saca? pois é...

Estava com 27 anos.

Poderosa! Estava no avião no domingo a noite rumo ao meu sonho americano e fiz logo amizade com o cara que estava do meu lado, dizendo que eu estava me mudando e contando a historia da minha vida em 5 minutos. Eu lembro que pareceu uma viagem Rio/Miami de 8hs, mas era apenas 45 min. Mas São Paulo não chegava nunca e eu já sonhava com a projeção futura.

Quando cheguei fui direto para o Flat da empresa que ficava em um bairro muito chique. nesta época a empresa estava localizada perto do Parque Ibirapuera, em uma casa lindíssima. Do Flat para a empresa eu ia andando. Me perdia porque sou uma desorientada e sempre fui. Tentava olhar para o alto e identificar os predios mas não adiantava nada e me perdia de todo o jeito.

No primeiro dia a docinho que iria me treinar chagava as 8:30 e eu pensei: que bom! Assim fico tranquila porque aqui o povo não é encanado quanto ao horário. E não era mesmo até aqui... só não podia exagerar. Fizeram uma reunião com todos e teve almoço também. A babaca aqui achou que fosse pra ela. Acreditas? logo a docinho tratou de me explicar que toda a segunda feira do mês todos almoçavam juntos. Era pretensiosa né?

Ela me ensinou tudo e muito bem. Como sempre tive facilidades para aprender, logo dominei o trabalho e a docinho pode ir para a Logística.

Tinha também a gatinha. Ela era muito especial pra mim. Nunca conheci uma pessoa tão segura de si. Quando falavam bem do meu trabalho, ela era a única que vinha me contar. Bem legal. Hoje é muito bem sucedida e será mais! Potencial é que não falta.

Nesta época me relacionava muito bem com todos mas tinha a sensação que meus superiores nunca tinham visto meu currículo antes. Não sabiam que tinha morado fora do Brasil (o que para eles era o must) nem que já tinha trabalhado na concorrência... sei lá. Eu achava que deveriam saber disso. O mais importante é que as pessoas do RJ (coroa e os gays) agora pediam frete para mim e me tratavam MUITO bem. O amor é lindo! O que estraga é a falsidade. Mas não me deixei abater. EU estava no lugar que eu queria independente destas pessoas. Então Fuck you!

Pois eis que uma dia... a empresa decide finalmente realizar a fusão da Brasileira que foi comprada e quem vem ser meu gerente? O Basel.

Pô! Eu tava tão bem e esse cara tinha que vir me desestabilizar e fazer da minha vida um inferno de novo? Mas eu era diferente. Me sentia diferente. Todos elogiavam meu trabalho e eu estava me realizando.
O cara veio com um papo de reduzir meu aumento salarial e cortar meu adicional de transferência? Qualé? Já começou mal.

Tinha a Japa. Ela tinha uma personalidade muito forte e estava para ser demitida mas o Basel resolveu chama-la para o departamento. Ela era boa gente e inteligente mas muito armada e atropelava tudo e todos. As vezes que o Basel pedia para enviar um relatório juntas e ela envia sozinha, sabe? Essas coisas que me incomodavam. As outras meninas que trabalhavam com ela diziam que era assim mesmo que eu tinha que me acostumar.

Putz! Começou tudo novamente. Voltei para o Umbral. Nada tava bom. Tudo o Basel reclamava e chamava a atenção na frente de todos. Era terrível. Nos dias de avaliação, era o pior. A nota máxima era 5 e eu estava sempre no 2. Saía arrasada. quando ele não era meu gerente eu ficava sempre no 3 ou 4.

De qualquer forma, enquanto eu estava debaixo do guarda chuva dele e ele respondia pelos meus atos que pelo seu perfeccionismo raramente dava errado e procurava acreditar que teria a minha projeção. Afinal de contas, eu fazia o trabalho que apesar das crises internas, externamente era bem quisto.


Mas a empresa mudou tudo. O Basel foi para a área de cabotagem e mudei de pricing da Europa para o Caribe.

Meu gerente é um cara muito gente boa. Gostava bastante do meu trabalho e ficava surpreso porque eu sempre me antecipava. Lia os e-mails com uma velocidade muito grande e as pessoas do departamento falavam: Você precisa receber mais e-mails! Mas eu acreditava que era um bando de encostados. Bom.. mas voltando ao meu querido gerente ... Ele sempre se encostava à cadeira e dizia: Então me convence! E eu adorava quando ele fazia isso porque corria MUITO atras. Foi por pouco tempo, mas foi muito importante pra mim.

Depois mudou tudo novamente e agora eu cuidava de tipos de cargas e não mas de Serviços ou Trades como chamávamos. O Chucrute mal passado que era um amor voltou a ser meu gerente, só que com outro diretor porque o Alemão das cortinas ficou só com a área reefer. Na época ouvi dizer que esse novo diretor dizia que éramos secretários do Basel e isso ia contra qualquer boa impressão que eu achava que tinha.

Acabei encostada. A empresa tinha uma política de não conceder muitos benefícios à agentes de carga e eu era responsável pelos agentes de carga. Só que não embarcávamos. Ou seja... Me encostaram.

Abriu uma oportunidade para ser coordenadora em Salvador e me candidatei. Perdi a vaga para uma menina de Santos que era um amor. Não podia ficar triste porque afinal de contas eu tive a minha oportunidade e vim para São Paulo. Depois, fiquei sabendo que a empresa a transferiu na época do carnaval e que ela nem tinha aonde dormir direito. Coitada...
Nesta época eu acordava e olhava pro céu e dizia: Lindo dia para ser transferida para Salvador!

Não posso esquecer que 6 meses depois que cheguei aqui, entrei para a Faculdade. Apesar de nunca terem me pedido, sempre acreditei que estudo é muito importante e não tinha terminado a faculdade no rio por falta de grana. Então entrei e conheci as pessoas que segurariam a minha barra no futuro próximo. A presença deles na minha vida foi de extrema importância neste momento.

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