Quando retornei a ligação um rapaz atendeu e falou: Paêêêêêêêêêê, é pra você!
Vixe... nem sei o que pensei. Estava tão apavorada pra sair da "carinha vermelha" que tudo tava bom.
Quando me contrataram, liguei e perguntei se era armador. A menina disse que era. Beleza! Eu tinha re encontrado meu lugar! Deus estava me dando outra chance. Era mais ou menos isso... só que não era em um armador, mas em Outro agente de carga.
Sabe aquelas piadas de argentino que você ouve? Sabe? Aquelas de fazer um muro e colocar água dentro ou aquela de 2 argentinos querendo voltar e o que ganha mais $ é aquele com a placa: me ajudem a voltar pra casa? Até esse momento eu achava preconceito contra os hermanos, mas depois desta empresa ahahahaha comecei a rir.
Era um escritório simples e não muito bonito. A empresa existia a 10 anos mas parecia que tinham acabado de abrir. Nada estava no sistema e os clientes eram somente de exportação. O Fofinho que era o Gerente no brasil é muito gente boa e adora comer bem. A vida começava novamente.
Compramos a Parati 98 e sabíamos que o ano de 2007 seria de reconstrução. Iríamos devagar pagando as dívidas e melhorando um pouquinho de cada vez. No meu aniversário fomos ao espetáculo da Claudia Raia que pifou no meio e enchi o saco porque meu pé doía pacas. Saímos pra comer no japanes. Mas nada de balada e amigos...
Sabia que eu iria amar a empresa. Tinha muito trabalho a ser feito e energia era o que não me faltava. Eles queriam desenvolver o mercado Asiático e tinham os melhores fretes do mercado. Como eu tive a experiência operacional em agente de carga na "carinha vermelha" dava uma mãozona no operacional. Queria e precisava de suporte e controle. Era fã do sistema que não era muito bom, mas era o que tinha. Estava humilde e o que me mandassem fazer eu faria.
Eram 20 ligações por dia para ter 5 cotações e 1 visita. Conseguia no mercado-negro as estatística, estudava a participação da concorrência, os serviços e os acordos com armadores mas me faltava uma coisa: a confiança da Asia.
O agente da Ásia estava traumatizado. Não conseguia trabalhar com o Brasil, um mercado em crescimento porque a agência tinha outro foco: As exportações para a Argentina e os argentinos era extremamente hostis não só com a Ásia mas conosco também.
Imagine trabalhar com argentinos... agora imaginem que a MATRIZ é argentina? Que as tomadas de decisões são na Argentina? me sentia naquele filme do Babe - o porquinho atrapalhado (que é sensacional) em que os cães não falavam a mesma língua das ovelhas e vice versa e são arque inimigos por isso. Era mais ou menos isso. Ninguém se entendia porque não se explicava nada e na concepção argentina nem teria porque eram eles que fechavam os embarques, então que se dane.
Na Intermodal de 2007 apresentava a empresa e ninguém conhecia. O unico foi um cara que ajoelhou e disse que eu era uma Santa por trabalhar lá e ele estava bêbado.
Mas eu tinha que chegar lá. Sem eles meu trabalho não estaria completo. Existia um manual mas não era muito atraente. Então fiz um novo manual de como exportar para o Brasil e todas as multas e documentos, copias necessárias, TUDO! Fiquei até umas 2 horas disponível para ver se alguém se interessava e nada. Não desisti e conforme ia realizando os fechamentos fazia o acompanhamento com eles na madrugada. Para os clientes era um diferencial ter a resposta no dia seguinte e não 2 dias depois. Houveram dias de estar com o Cliente da Ásia, o agente na Ásia, o cliente no Brasil e eu... no telefone, nextel e MSN. Loucura que eu amava e tinha nascido para. Estávamos incomodando a concorrência e os argentinos nos respeitavam. Agora o departamento contava com 3 níveis. Vendas, atendimento ao cliente e operacional.
A Ásia finalmente confiava em mim e no final de 2007 fui eleita pelo agente como a melhor profissional do grupo argentino. Estava tudo entrando nos eixos. Chegava a ir para a empresa as 6 horas da manhã para poder ligar para a China e saber se estava tudo bem. A cullura Chinesa me encantava e comecei a comprar tudo sobre a China, lia tudo sobre a China. Nos feriados em que minha filha passava comigo, levava-a para a empresa e me ajudava a fazer os arquivos.
Eu sei , Eu sei... calma que eu chego no fim da escravidão.
No final deste ano o Fofinho encheu o saco. Me lembrei da empresa Alemã e como todas aquelas rápidas mudanças tinham me incomodado. Mas o Fofinho era um cara legal e muito comprometido. Tenho certeza que poderia ter saído antes mas aguentou o quanto pode. Saiu e foi para uma empresa Ma-ra-vi-lho-sa e ganhando super bem. Ele é o máximo!
Naquela época tinhamos mudado para 2 salas e éramos 20 pessoas e não mais 8 ou 9 como antes.
Eu estava mais do que crescendo com a empresa. Eu estava ajudando a empresa a crescer e me sentia muito bem. Dominava o assunto e me sentia especial.
Eu era uma Rainha no inferno e não uma Serva no céu. E gostava disso.
(Voces entenderam esse final? Deep hum?)
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